quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O conceito do “Suficientemente Bom”

O mundo foi feito em sete dias de maneira 
suficientemente boa. Se tentasse ser ótimo,
Deus estaria fazendo o mundo até hoje

Vamos dizer que você está editando o vídeo de um show e falta encontrar, nas centenas de fitas gravadas, os melhores lances do público, as caras de emoção, os sorrisos de aprovação, os momentos mágicos em que o artista mais tocou a plateia. Você já encontrou e colocou na edição muitas cenas interessantes, algumas até memoráveis, mas o bolo de fitas ainda não assistidas é grande. Aí vem a pergunta: o que já está editado é suficientemente bom?
Enquanto isso, um motor de carro de corrida está sendo regulado para entrar nas pistas no dia seguinte. A performance está acima do que sempre esteve, mas claro que pode melhorar com mais algumas horas de ajuste. Do jeito que está dá para vencer, mas ao mesmo tempo jamais vamos saber de antemão qual será a performance dos adversários. E aí vem a pergunta: será que o acerto do veículo já está suficientemente bom?
Por outro lado, o vestibular será em três dias. E alguém passou o ano estudando, mas tem consciência de que não sabe tudo. Pode tentar aguentar o sono e o cansaço e dar um sprint final nos livros e apostilas, ou declarar-se suficientemente bom como candidato e ir namorar.
Um músico está afinando as cordas do violino. Está em dúvida entre passar um pouco mais de tempo buscando a perfeição sonora ou concluir que já está suficientemente bom para se apresentar ao lado de outros trinta instrumentos de corda.
Podemos resumir todos esses exemplos acima tomando o último como referência: qual é o momento em que a corda não está frouxa de soar mal aos ouvidos nem esticada a ponto de arrebentar?
A grande pergunta sempre é: entre tudo que já fizemos e tudo que ainda poderíamos fazer, qual o momento mágico do “suficientemente bom”, também chamado de “good enough”? Qual o critério que deve ser utilizado para esse julgamento? Tempo despendido? Dinheiro investido? Esforço gasto? Ou as vantagens de sair na frente, ter o privilégio da anterioridade, precisar de uma taxa menor de retorno ou ainda poder se dedicar imediatamente a outro projeto?
Essa constatação me surgiu escrevendo um livro. Qual o momento de lançá-lo? Quando decidir que ele estava pronto? Dava para melhorar? Sim, e muito! Mas poderia continuar pesquisando e escrevendo sobre o tema a vida inteira. Enquanto isso, a ideia central da obra iria sofrendo erosão, a política de lançamento da editora poderia sofrer alterações de interesse e a tese poderia ser antecipada por outro autor.
E aí veio a pergunta: “O conteúdo deste livro já está suficientemente bom?”.
Claro que sim. “Mas já estava bom na semana passada, antes das últimas inserções?”. Provavelmente sim. E poderia estar melhor na semana seguinte? A resposta era sim, também.
Mas, afinal, a busca da
perfeição faz sentido?
Leon Tolstoi dizia que devíamos tentar buscar as estrelas mesmo sabendo que jamais iríamos alcançá-las. Em literatura isso pode ser verdade, mas em administração nem sempre. Ou quase nunca. Pelo menos no mundo pós-digital.
Se partirmos do princípio de que sempre podemos melhorar, a questão é quando parar de buscar o ótimo e passar a aceitar o suficientemente bom. E, num mundo onde tudo muda cada vez mais rápido, talvez nossos critérios tenham mesmo que ser revisados.
Nossa sensação do bom em relação ao tempo é linear, mas a evolução do mundo tem sido exponencial. Com isso, o conceito do suficientemente bom tem que mudar.
Muitos relojoeiros suíços desapareceram por não entender que os critérios do que é suficientemente bom se alteraram na relação do consumidor com o relógio.
Já a indústria da informática e empresas como a Apple lançam mais versões ou novidades do que a nossa capacidade pode acompanhar.
A razão disso é que o mundo digital nos trouxe uma nova forma de raciocinar e não apenas uma inédita maneira de nos comunicarmos. E essa nova ótica influencia tudo, até a produção de bens físicos.
Na era analógica, para lançar uma revista procurávamos ultrapassar o limite do suficientemente bom. Eram centenas de layouts, dezenas de pesquisas, provas e provas antes do número zero da publicação. A razão disso: era difícil e caro mexer depois. Hoje, ao fazer um site, posso lançá-lo em beta e ir aperfeiçoando com o passar do tempo, arrumando o avião em pleno voo.
Quando o primeiro iPhone foi lançado, possuía muitos features a serem melhorados. Os responsáveis por seu desenvolvimento sabiam que ele não realizava multitarefa, o som era baixo demais, a bateria durava pouco, os pixels das fotos não eram o ideal, a tela parecia pequena, mas a pergunta que fizeram a si mesmos foi: “Está suficientemente bom para mudar a história dos celulares?”. A resposta foi sim e, então, ele foi colocado no mercado. Depois, por upgrade, foi sendo melhorado e aperfeiçoado nas edições seguintes.
O teclado horizontal e a câmera com mais megapixels, por exemplo, foram itens introduzidos só na terceira versão, quando o iPhone já havia feito história na telefonia celular. Naquele momento, a hipótese de perder mais tempo tentando implementar e melhorar esses itens, ou encarecer o produto na busca do ótimo, poderia ter custado a Jobs e a sua equipe perderem a primazia de fazer história no mundo da mobilidade.
O universo digital trouxe uma quebra de paradigmas fundamental quando criou pela primeira vez a separação de dois mundos: o software e o hardware. Mais que um modelo de negócio, essa separação gerou um modelo de pensar e de ver o mundo. Antes dele, os produtos que nos rodeavam nasciam e morriam fazendo exatamente as mesmas funções que lhes foram atribuídas no seu nascimento.
Uma geladeira e uma televisão, por exemplo, têm as suas funções inalteradas durante toda a sua vida útil. E o mesmo se aplica ao automóvel, ao espremedor de laranja e ao aspirador de pó. Ao adquirir qualquer um desses objetos, já sabemos de antemão o que esperar deles durante toda sua existência.
Quando se separaram os conceitos de hardware e software, esse destino imutável das máquinas e objetos se alterou para sempre. A cada novo aplicativo baixado, um celular ou smartphone pode, além de telefonar e transmitir mensagens, tocar flauta, retocar fotos e descobrir que música está tocando no ambiente. Esses novos features vão se somando às suas habilidades iniciais, como se ele fosse aprendendo novos truques durante toda a sua vida.
Essa visão de que o imutável pode ser alterado e ampliado foi, sem dúvida, a maior transformação da relação homem/máquina e modificou completamente os modelos de negócio para sempre.
O ótimo é inimigo do bom?
Nikola Tesla foi um dos grandes gênios da humanidade, mas ficou na obscuridade por quase um século ao não entender o conceito do suficientemente bom. Com isso, Marconi levou a fama de inventor do rádio, Edson teve seu nome marcado na eletricidade e muitos outros inventores se apoderaram das ideias de Tesla, que esperava aperfeiçoá-las à exaustão antes de dá-las por terminadas.
Empresas de sucesso são aquelas que têm a compreensão correta do suficientemente bom.
Algumas saem na frente e fracassam por oferecer algo ainda não suficientemente bom. Outras esperam demais em busca do suficientemente bom e perdem o mercado e a oportunidade.
Desde que nascemos, somos impelidos ao ótimo e à perfeição. Na escola, o que importa é a nota 10. No esporte, o objetivo é o recorde, a medalha. Temos que melhorar sempre, por isso o suficientemente bom é anti-intuitivo, é negar tudo que aprendemos a ser.
Um mesmo remédio pode curar ou matar dependendo da dose. O critério do suficientemente bom, também.
Gestão nada mais é que a capacidade de discernir o que é suficientemente bom ou não. Se for além, perde a oportunidade. Se ficar aquém, o fracasso é certo.
Existem cinco fatores principais que norteiam o conceito do suficientemente bom: 1) custo de oportunidade; 2) prazo de validade; 3) ambiente concorrencial; 4) impacto tecnológico; 5) momentum organizacional.
Ray Croc, fundador do McDonald's, teve sempre a noção exata do suficientemente bom. Seu hambúrguer não era ótimo, mas suficientemente bom para dar início a um império. Já o finado Projeto Iridium, da Motorola, ficou aquém do suficientemente bom, corroído pelo tempo e pela evolução da tecnologia.
O Titanic partiu do Porto de Southampton, rumo a New York, para sua viagem inaugural. A bordo havia 2.500 pessoas dentre as mais ricas e importantes do circuito Elizabeth Arden. Considerado o maior navio do mundo e o mais luxuoso da época, demorou dez anos para ser construído e havia em seus construtores obsessão pela perfeição.
Um iceberg, no entanto, acabou com o mito e com a vida de milhares de pessoas. A razão por trás desse trágico acidente foi a falta de balancear o conceito de suficientemente bom entre os vários aspectos que compunham seu projeto. Pesaram demais a mão nos itens de luxo e conforto, mas ficaram aquém do suficientemente bom no quesito segurança. E isso foi fatal...
O mundo foi feito em sete dias de maneira suficientemente boa. Se tentasse ser ótimo, Deus estaria fazendo o mundo até hoje.
E, por falar em origem do mundo, os espermatozoides que saem antes em busca do óvulo morrem no caminho – até que o pH do ambiente se altere. Quem alcança o óvulo e o fecunda não é o mais rápido, nem o mais lento. É a luta pela vida do suficientemente bom.
A seleção natural que afeta toda a evolução das espécies é absolutamente baseada no conceito do good enough. Um animal não precisa correr no dobro da velocidade de seu predador. Para continuar vivendo, basta correr alguns metros a mais por minuto. Se fosse mais rápido que o necessário, gastaria mais energia e precisaria de mais alimento. Por isso, toda a evolução sempre procura compor seu quadro de sobrevivência baseado nas menores diferenças possíveis, que são suficientemente grandes para garantir a perpetuação da espécie.
Quando se observa uma floresta, vemos que há uma certa homogeneidade na altura das árvores. A razão disso é que elas crescem o suficiente para que suas copas alcancem o sol e possam realizar a fotossíntese. É o conceito do good enough novamente apresentado na natureza.
Num mundo que se move cada vez mais rápido e de maneira exponencial, todos nós temos que nos adaptar ao conceito do suficientemente bom para garantirmos a agilidade necessária em nossa gestão. Nossa tendência ainda é achar que alcançamos a perfeição quando não conseguimos acrescentar algo mais a nosso produto ou serviço. Hoje, é o contrário. A perfeição só é alcançada quando não conseguimos retirar algo dele. Esse é o conceito do suficientemente bom ou good enough.
A busca pela perfeição na visão tradicional pode estar nos impedindo de sermos bons o bastante. E, no novo ecossistema digital, isso nunca foi tão verdade!

Fonte: Walter Longo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Corrupção e falência da Petrobras

Corrupção e falência da Petrobras. (Non) Semper Augustus

Publicado por Luiz Flávio Gomes - 1 hora atrás
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LEMBRETE aos internautas que queiram nos honrar com a leitura deste artigo: sou do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) e recrimino todos os políticos comprovadamente desonestos assim como sou radicalmente contra a corrupção cleptocrata de todos os agentes públicos (mancomunados com agentes privados) que já governaram ou que governam o País, roubando o dinheiro público. Todos os partidos e agentes inequivocamente envolvidos com a corrupção (PT, PMDB, PSDB, PP, PTB, DEM, Solidariedade, PSB etc.), além de ladrões, foram ou são fisiológicos (toma lá dá ca) e ultraconservadores dos interesses das oligarquias bem posicionadas dentro da sociedade e do Estado. Mais: fraudam a confiança dos tolos que cegamente confiam em corruptos e ainda imoralmente os defende.
Corrupo e falncia da Petrobras Non Semper Augustus
O poeta Richard Armour escreveu o seguinte:[1] “Que o dinheiro fala/ Não negarei. Eu o ouvi falar, uma vez. Ele disse ‘Adeus’”. Foi precisamente esse desencanto que assomou o espírito de todos os acreditaram na boa performance da Petrobras nos últimos anos. O dinheiro também disse bye bye a todos que confiaram, na Holanda do século XVII, no mercado de tulipas, particularmente de uma espécie rara que ficou conhecida como Semper Augustus[2].
A tulipa veio da Turquia e caiu no gosto dos Holandeses. Aliás, do europeu em geral. Com alta procura e produto escasso os preços explodiram. Mais ainda quando um vírus (só descoberto séculos depois) contaminava a tulipa, deixando-a mais bonita (com listras brancas, leitosas). Cada botão valia o mesmo que uma casa[3].
Primeiro vendiam os botões da tulipa. Depois passaram a vender os bulbos (raízes de onde saem as tulipas). Logo vendiam um “contrato” (um título) que garantia o dinheiro que o bulbo gerava. Finalmente começaram a comercializar esses “contratos” no mercado (tal como são comercializadas as ações da Petrobras). Num mesmo dia eles valorizavam consideravelmente. Aumento de 300% em 3 anos. Evidentemente tudo terminou numa bolha financeira. Formavam-se correntes (“pirâmides”) em torno do mesmo título. Enorme expectativa de ganhos. Consumada a fraude, o prejuízo se generalizou. Non Semper Augustus. Os ricos, nesse caso, também choraram o leite derramado!
Porque as ações da Petrobras caíram tanto, chegando ao nível de 1999? “Os principais motivos da queda recente das ações da Petrobras basicamente são: (a) manutenção dos preços dos combustíveis mesmo diante da alta do petróleo no período 2010 a 2014; (b) aumento expressivo dos investimentos estimados para projetos de refinarias e renovação de frota naval; (c) identificação de esquemas de corrupção, como é o caso da Operação Lava Jato, que em muitos casos tem ligação direta com o sobre preço dos investimentos em andamento; (d) elevado nível de endividamento para fazer frente aos investimentos realizados pela empresa no passado recente; (e) desvalorização cambial, agravando o peso da dívida sobre o balanço da empresa; (e) queda geral do preço do petróleo no mundo todo a partir do ano passado”[4].
A queda dos preços tem alguma coisa a ver com os recentes escândalos em sua administração? “Os escândalos de corrupção certamente contribuem para a queda nos preços de suas ações. No entanto, o principal motivo se refere ao sobrepreço nos investimentos realizados pela empresa, que possui ligação direta com os escândalos de corrupção, e o elevado nível de endividamento da empresa, que se agravou com a desvalorização do Real”[5].
O dinheiro que roubaram da Petrobras não desapareceu. O dinheiro da fraude da tulipa na Europa não sumiu. O dinheiro não some, ele muda de bolso. Sempre houve criminoso cujo prazer, além da felicidade própria, é a desgraça alheia[6].
As gerações passadas no Brasil lutaram pelo petróleo (Monteiro Lobato, sobretudo). O “pai dos pobres e mãe dos ricos”, chamado Getúlio Vargas, inventou a Petrobras (em 1953). As novas gerações têm que levantar a bandeira da recuperação do dinheiro surrupiado, mais medidas preventivas anti-pilhagens. Antes nos roubavam o petróleo. Agora nos roubam os capitais da Petrobras (por exemplo: comprando petrolíferas por preços superfaturados na Argentina ou nos EUA).
O vírus na tulipa permitiu uma fraude monstruosa no século XVII (em plena Europa). O vírus da corrupção na Petrobras faz parte da nossa tradição neocolonialista cleptocrata (escravagista, extrativista e parasitária).
Mas nada há de novo sob o sol (“Nihil novi sub sole”). Há mais de dois mil anos os romanos já advertiam: caveat emptor (“comprador, tenha cuidado”).
A administração desastrada da Petrobras, particularmente na era lulopetista (ou de qualquer outro dinheiro público, posto que a corrupção é uma praga que nos acompanha há mais de cinco séculos), não é uma desgraça inevitável nem tampouco foi inventada pelo lulopetismo: isso acontece porque o patrimônio público brasileiro, por tradição e cultura, é sugado todos os dias em parcerias público-privadas estabelecidas, sobretudo, entre as elites governantes e dominantes (oligarquias políticas, econômicas e financeiras) especializadas em pilhagens.
Os céticos dizem que “sempre fomos assim e sempre será assim”. Padecem da síndrome de Gabriela: “Eu nasci assim, Eu cresci assim, E sou mesmo assim, Vou ser sempre assim, Grabriela, Sempre Gabriela” – Jorge Amado e Dorival Caymmi. Trata-se de um discurso ideológico conformista e derrotista. Coisa de fracos, incompetentes e ressentidos[7]. Que não querem enfrentar o status quo (de roubalheira institucionalizada secularizada).
Para as pilhagens há sempre alternativas de preservação do bem comum. Reforço das instituições de controle (aprimoramento da polícia, dos tribunais de contas, do MPF, dos juízes), programas preventivos transparentes e, especialmente, a eliminação da covardia do eleitor: eis um bom começo para atacar os inimigos do erário, que buscam freneticamente riquezas fáceis, tanto nas bonanças como nos momentos de crises.
Os setores, frações, grupos ou corporações das elites que nos pilham, não fazem isso somente pelo amor ao dinheiro. Há outros incentivos: querem se exibir para o mundo, querem o nome na revista Forbes, querem gozar plenamente de sua liberdade. A demonstração da sua importância se torna uma necessidade vital[8]. As pilhagens, ademais, geram emoção (adrenalina).
Nos países cleptocratas, não basta comprar o carro mais caro do mundo: é preciso colocá-lo na sala da casa para mostrá-lo urbi et orbi como se fosse um mobiliário da Inglaterra vitoriana. Não há limite para o ridículo. Todos com baixa autoestima precisam de compensações. O narciso acha feio tudo que não é espelho (Caetano Veloso).
Em todas as pilhagens das elites concertadas, sempre alguém sai ganhando (atua-se em favor do próprio bolso, da corporação, do partido ou da manutenção do poder). Claro, sempre os mesmos. É que estamos em um país em que “os corruptos [cleptocratas] têm voz, vez e biz; e o respaldo de estímulo em comum”[9].
O espírito neocolonialista cleptocrata não tem por objetivo apenas pilhar (extrativar) tudo que for possível, senão, sobretudo, manter os distanciamentos sociais racistas e classistas[10]. Não lhe passa pela cabeça o bem-estar geral da nação (a era escravagista nunca terminou). Para manutenção do “sistema” é preciso ainda subverter a democracia, por meio da sua “compra”; por esse método heterodoxo instaura-se um Estado Clandestino de Direito, paralelo e afrontoso ao Estado de Direito. A mobilização massiva de recursos fomenta o Estado paralelo que é eixo da acumulação indevida de riqueza, somando-se duas pragas que são o extrativismo corporativo e o patrimonialismo estatal. O acesso de setores, frações, grupos ou corporações das elites econômicas e financeiras ao Estado é facilitado pelas suas relações de interesses com as elites governantes (reinantes) (o escândalo da Petrobras está revelando tudo isso desde suas mais profundas entranhas).
Com o auxílio de muitas instituições (mídia, religiões, escolas etc.), a governança cleptocrata, mesmo não proporcionando um ensino de qualidade para todos, de forma a promover pelo menos uma igualdade de origem, a educacional, tranquiliza as classes despossuídas com o discurso de que nesta vida “cada um tem o que merece”. Esse discurso vira neve ao vento quando desacompanhada, ao menos, da igualdade educacional de origem, que é o pressuposto impostergável da meritocracia. Cinismo é o nome que se dá a quem fala em meritocracia sem base educacional comum. Hipócritas são as elites governantes e dominantes que roubam o patrimônio público e ainda se julgam vestais da honorabilidade.
[1] Citado por NARS, Kari. Golpes bilionários. Tradução de Lilia Loman e Pasi Loman. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2012, p. 23.
[2] Ver VERSIGNASSI, Alexandre. Crash. 2ª edição. São Paulo: LeYa, 2015, p. 11 e ss.
[3] Ver VERSIGNASSI, Alexandre. Crash. 2ª edição. São Paulo: LeYa, 2015, p. 11 e ss.
[6] Ver NARS, Kari. Golpes bilionários. Tradução de Lilia Loman e Pasi Loman. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2012, p. 13 e 15.
[7] Ver PONDÉ, Luiz Felipe. A era do ressentimento. São Paulo: LeYa, 2014, p. 41 e ss.
[8] NARS, Kari. Golpes bilionários. Tradução de Lilia Loman e Pasi Loman. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2012, p. 19.
[9] Ver Meu País, Zé Ramalho, composição de Orlando Tejo, Gilvan Chaves e Livardo Alves.
[10] “No âmbito regional, a América Latina destaca-se como a região mais desigual do mundo, com 167 milhões vivendo na pobreza, sendo 71 milhões na pobreza extrema. Ainda que no período de 2002 a 2012 tenha ocorrido a redução da pobreza de 43,9% a 28,1% (e da pobreza extrema de 19,3% a 11,3%), em 2012 e 2013 houve a estagnação do processo de redução da pobreza na região — ver “Social Panorama of Latin America”, 2014, Economic Commission for Latin America and Caribbean (Eclac). A região concentra cinco dos dez países mais desiguais do mundo” [com liderança absoluta do Brasil, que é um dos 10 países mais desiguais do planeta] – ver PIOVESAN, Flávia, http://oglobo.globo.com/opiniao/renda-basica-de-cidadania-18423318, consultado em 07/01/16.

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